Cisco

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3 de abril, 2020 1 Por MCestari

          Reflexões diárias, crenças, ideologias, fé. As vezes a gente se perde nelas, as vezes a gente se perde delas. Onde tudo é imediato, difícil encontrar um hiato. O espaço vazio não mora mais no meio. Nem dentro, nem fora, vazio hoje em dia é receio. Nem a bolacha mais tem recheio. É biscoito. Antes do nove vem o oito, mas depois do sete volta a ser segunda. Se a gente tenta entender se aborrece, se insiste adoece e se ignora é ignorante. Faço um aparte e abro “o livro das ignorânças” acomodado à frente do meu ofício. Sempre útil tal artifício. Manoel de Barros nos lembra daquele onde, onde nunca estamos. E voltar para lá me refresca uma brisa de asa azul zumbindo o mel, me esperançando o céu:

 

“Ando muito completo de vazios.

Meu órgão de morrer me predomina.

Estou sem eternidades.”

 

É ai que se esvaem as vontades.

É ai que moram as minhas vaidades.

Nesse meio entre o vazio

e as eternidades.

 

O resto já me basto de ser um algo a menos no meio do tudo isso. Um cisco vagando, uma hóstia a mais ou a menos, tanto fez, tanto jaz. Já me chamo Albatroz.

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Sobre o Autor

MCestari
MCestariMarcos Cestari é um quase geólogo graduado em Propaganda e Marketing concluindo a graduação EAD em Letras português/inglês. Palhaço ou Clown, artista de rua, poeta, escritor. Autor do romance Cadafalso Despertar, autopublicação que pode ser comprada aqui no site, na aba /Loja Ladra Livros. [Uma cabeça que pensa, uma cabeça que cria, uma cabeça que é pensa, uma cabeça que é minha]